A autoestima e o estresse de minoria em homens trans após a realização da mastectomia

João Victor Barbosa da Silva, Luana Elayne Cunha de Souza

Resumen


O presente artigo buscou analisar a saúde mental de transmasculinos e como ela é afetada pelo amparo social e o processo transexualizador. Além disso, buscou-se também investigar como está sendo o atendimento em saúde para pessoas tansmasculinos e seu acompanhamento. Para tal foram averiguados índices de autoestima, estresse de minoria e identificação grupal. Vale notar, que no Brasil, 67,20% da população trans já apresentou sintomas depressivos e 43,12% já tentaram o suicídio e dessas, 80,50% associam o ser trans ao motivo de terem tentado tirar a própria vida. Por conta disso, entende-se a urgência de se produzir um saber científico que busque coletar dados sobre a saúde mental dessas pessoas. Afinal, isso dá subsídio para atuação de profissionais de saúde, assim como auxilia no embasamento de políticas públicas que busquem salvaguardar vidas e participar ativamente na desconstrução de preconceitos. O método escolhido para pesquisa foi o quantitativo, utilizando-se a Escala de Autoestima de Rosenberg, a Escala Multidimensional de Identificação Grupal, o Protocolo de Estresse de Minoria, a Escala Trans Pulse. Os participantes foram 74 transmasculinos de 14 estados e o Distrito Federal. Destes, 43 (58,1%) fizeram a mudança de sexo no documento de identidade e 46 (62,2%) mudaram de nome. No que se refere a cirurgias de modificação corporal, 20 (27,03%) já fizeram algum processo, sendo a mastectomia o principal. No que se refere a hormonização, 49 (66,2%) já fizeram ou fazem uso de hormônios, destes 5 (6,8%) o fazem sem supervisão médica. No que se diz ao acesso à saúde, 55 (74,3%) dos participantes já evitaram ir ao serviço de saúde por serem trans e 55 (74,3%) demonstraram que tem desconforto em discutir suas necessidades, enquanto pessoas trans, com profissionais de saúde com os quais já fizeram consulta. Os principais resultados revelaram melhores índices de autoestima em participantes que tiveram acesso a mudança de nome, de sexo e ao processo transexualizador. Foi possível constatar correlações positivas entre autoestima e amparo social e correlações negativas entre estresse de minoria e amparo social. Isso revela a importância dos profissionais de saúde e de assistência social atuarem no fortalecimento de vínculo comunitário junto a essas pessoas e na assistência no que se diz ao acesso ao processo transexualizador e na mudança de nome e sexo.

Palabras clave


Transmasculinos; Estresse de Minoria; Autoestima.

Texto completo:

PDF (Português (Brasil))


DOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10813

Enlaces refback

  • No hay ningún enlace refback.

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia